A CT197 -BIM é a mirror committee do CEN/TC442, o que quer dizer que em Portugal esta é a Comissão Técnica que representa este grupo do CEN.

Em termos gerais, a Comissão Técnica CEN/TC 442 que se propõe criar pretende oferecer um conjunto estruturado de normas, especificações e relatórios que descrevem metodologias para definir, implementar e monitorizar o BIM e gerir toda a informação que lhe é inerente.

Assim, a Comissão Técnica Europeia de Normalização BIM tem como principais objetivos:

  • Harmonizar as iniciativas BIM europeias no que toca à normalização;
  • Potenciar uma construção mais sustentável, que pense o ciclo de vida dos empreendimentos de forma integrada e considerando análises de ciclo de vida;
  • Contribuir para o aumento da competitividade do setor da construção europeu;
  • Mapear processos e trocas de informação na fileira da construção e potenciar o trabalho colaborativo devidamente estruturado;
  • Estabelecer orientações para o desenvolvimento de taxonomias integradas no âmbito da construção;
  • Contribuir para a inovação tecnológica do setor e aumento de interoperabilidade entre as tecnologias disponíveis;
  • Definir guidelines para a implementação do BIM a nível europeu;
  • Estabelecer uma base comum para a investigação e desenvolvimento no âmbito do BIM.

 

Principais Desafios do CENT/TC442

Como se referiu anteriormente, o BIM levanta inúmeros desafios e para além da tecnologia é também uma metodologia disruptiva que deve ser encarada de forma interdisciplinar e integrada.

Como principais desafios, o CEN/TC442 identifica os seguintes:

 

Conhecer o estado atual da implementação BIM nos diversos países

A caracterização do estado atual revela-se como um dos pontos de partida para o trabalho a desenvolver pelo grupo CEN, tendo em conta a heterogeneidade das experiências a nível europeu. Esta análise será incorporada num relatório técnico do grupo de trabalho do CEN.

 

Adotar normas ISO standards como normas europeias EN

Naturalmente, um dos desafios principais será a adoção de ISO standards, de acordo com o contemplado pelo acordo de Viena. Assim, prevê-se a adoção das seguintes normas ISO:

- ISO 16739 Industry Foundation Classes for data sharing in the construction and facility management industries

- ISO 12006-2:2001 Building construction – Organization of information about construction works – Framework for classification of information

- ISO 12006-3:2007 Building construction -- Organisation of information about construction works -- Part 3: Framework for object-oriented information

- ISO 29481-1:2010 Building information modelling -- Information delivery manual -- Part 1: Methodology and format

- ISO 29481-2:2012 Building information models -- Information delivery manual -- Part 2: Interaction framework

- ISO/TS 12911:2012 Framework for building information modelling (BIM) guidance.

 

Trocas de informação e interoperabilidade

A interoperabilidade existe a três níveis principais, que devem ser devidamente analisados: nível tecnológico, semântico e processual. É neste quadro que se desenvolverão os trabalhos de normalização, que focarão então os modelos de dados (em especial o IFC), os dicionários de dados (em especial o IFD) e os processos (em especial o IDM).

O IFC deverá merecer especial atenção, principalmente no que diz respeito à sua extensão e abrangência de instalações industriais, planeamento urbano e infraestruturas. Por outro lado, é importante afirmar o BIM e o IFC como suporte de toda a informação dos empreendimentos de construção para efeitos de gestão e armazenamento de informação a longo prazo.

Em paralelo, deverão ser desenvolvidas especificações de processos que, do ponto de vista do utilizador representam o “Information Delivery Manual” e do ponto de vista tecnológico se materializam nos “Model View Definitions” (que são vistas parciais do IFC). Neste âmbito, especial cuidado deverá ser dado ao desenvolvimento de guidelines genéricas, análise energética, avaliação de ciclo de vida e Gestão de edifícios.

 

Desenvolvimento Taxonomias e Dicionários

Os dicionários pretendem estabelecer ligações entre as diversas taxonomias existentes, no sentido de criar uma terminologia capaz de ser reconhecida por todos os países e pela máquina. O IFD (Internation Framework for Data Dictionaries) representa um standard internacional de base que deverá ser seguido para a prossecução deste trabalho. Naturalmente, este trabalho requer desenvolvimentos semânticos a três níveis distintos: implementação de taxonomias estruturadas de acordo com a ISO 12006; desenvolvimento de estrutura comum a nível comum; implementação de sistemas tecnológicos para criação de ligações entre taxonomias. As livrarias de objetos são um instrumento relevante no seio destas problemáticas e devem acompanhar todos os desenvolvimentos semânticos e metodológicos.